cosas que te pasan si estás vivo
- por que? vos sos judío?
- bastante poco.
domingo tranqui en palermo

domingo à tardinha. desfile de carão e óculos escuros em palermo soho (odeio isso... ora soho!). gabi, la porteña despelotada; gwenolé, meu parceiro de programas de índio em buenos aires; didier, o rei do humor negro; e teo, primo do finado e meu amigo mais blasé... parece alice no país das maravilhas ou loja pra criança essas mesas e cadeiras em miniatura? não, no soho é cool ficar aí, de cócoras, vendo o povo passar...
saturday night fever
parece que o fotógrafo exagerou nas caipirinhas. cortaram a pily!!
todos buscamos a jorge julio lópez
"todos buscamos a jorge julio lópez, si sabes algo llamá al 911 o al 0800- 333 - 5502. gobierno de la província de buenos aires." recebi isso no meu celular um dia desses; outro dia, acordei com o telefone em casa e, quando atendi, era uma gravação com o mesmo texto. todo dia algumas centenas ou milhares vão à plaza de mayo ou obelisco protestar e pedir empenho na busca do seu jorge. ele é testemunha de um processo contra um tal etchecolatz, torturador dos tempos da ditadura militar.
$200 mil pra quem tiver alguma pista mas, infelizmente, ele não tava lá em casa esse dia.
feliz día del huevo!!
depois do dia da mulher, dia do amigo e do dia da primavera, hoje foi o día do ovo. sim, do ovo. pela primeira vez nesses 7 meses, não era protesto, não tinha cartazes nem gritavam contra algo ou alguém no obelisco. o tradicional cenário das manifestações políticas portenhas foi palco para um par de "boludos" fantasiados de ovo propagarem os benefícios do alimento, patrocinados pela international egg comission (??).
mi primer gueto
mais um filme auto-biográfico de um diretor judeu, e mais um que vale ser visto. segunda fui à pré-estreia de cara de queso - mi primer gueto, auto-análise pública do novato ariel winograd, esse moço que antes de sair da universidad del cine fazia curtas protagonizados por anões.
cara de queso se passa num country judío no verão de 1994, durante o governo menem. idishe mammes histéricas, adolescentes enlouquecidos, ombreiras, muambas de miami, menemistas enrustidos... algumas histórias raras, outras que conhecemos muito bem.
e ainda tem o daniel hendler fazendo papel de canastrão-bagaceiro-chinelão. imperdível! como diria meu outro ídolo dessas bandas, o liniers, "no la dan en todos los cines como esas de uma thurman, pero es genial y vale la pena".
Etiquetas: argentinos, cinema
aires buenos

aos poucos, buenos aires deixa de ser o paraíso do politicamente incorreto no mundo. eu sabia que um dia isso ia acontecer, mas pensei que seria o último lugar. e não, desde domingo, adeus fumaceira no restaurante, no bar, no cinema e até no supermercado. os cinzeiros do alto palermo shopping já foram recolhidos, o garçon do café aqui da esquina me olhou com cara feia quando eu perguntei se a lei "pegava" e hoje vi no jornal que um senhor foi detido na recoleta por recusar-se a apagar seu cigarro. essa decisão do governo, que pelo que vi conta com o apoio de boa parte da população (90% fumantes), afeta a identidade do país. como fica o tradicional cortado e o pucho num café no meio da tarde? e o tradicional cigarro com meia hora mais de papo depois das refeições?
mas a lei, felizmente, abre uma exceção aos boliches (assim chamam as discotecas daqui) e outros lugares frequentados somente por maiores de 18 anos. nos bares, onde, por lei, não se pode dançar (pois não têm autorização do governo para serem 'locais de baile'), agora também é proibido acender um cigarro, a não ser os que tenham terraços ou mesas na rua. não fui ao la cigale ontem, mas não posso imaginar aquele inferninho sem a fumaça característica e o cheiro de tabaco que já está na memória. o mundo bizarro trocou de lugar e teve seu espaço ampliado; talvez encontre uma brecha na lei para fazer a alegria dos habitués. em um ano de tantas adaptações, agora tenho que me acostumar a essa tentativa de trazer aires buenos a buenos aires.
Etiquetas: argentinos, buenos aires, cigarro
festa da democracia
domingo à tarde e um calor de quase 30 graus, mas eu estava protegida pelo ar condicionado e me refrescando com um suco de laranja gelado. o jardim era lindo, num palácio do século XIX, estilo francês. enquanto apreciava as obras de arte, senhoras sorridentes vestindo chanel e prada me serviam canapés. serviço de primeira, mas eu estava meio deslocada.felizmente o rapaz engravatado notou e me conduziu até o salão onde eu estava sendo aguardada para... votar! sim, para votar. votar no exterior é ainda mais nojento que no brasil. toda essa cena que eu descrevi existiu e aconteceu na embaixada do brasil aqui em buenos aires, graças ao meu, ao seu, ao nosso rico dinheirinho que entra nos cofres públicos todos os dias.
essa era a vista da minha seção eleitoral, localizada em um dos três prédios da embaixada num dos endereços mais caros da cidade. juro que pensei em anular meu voto, mas não quero, nas próximas eleições, ser recebida por um analfabeto que assumiu cargo de 1º secretário no itamaraty.
enquanto isso, nas bandas do rio da prata...
muita coisa mudou. minha rotina mudou, meus fins de semana mudaram (e continuam mudando), as leis da cidade mudaram, o clima também mudou. agora entendo (um pouco) porque tanta festa pelo dia da primavera; basta de dia cinzentos, basta de luz acesa às 17:30, de volta aos parques lotados, ao sol até quase 20h, filas por uma mesa no terraço de um café...
EZE - POA - SM - POA - EZE
foi uma maratona para ver todo mundo, ficar com a família, os cachorros, tomar bohemia e polar gelada, comer xis, coxinha, sopa no van gogh, ir no ponto... faltou o tão falado pagode, mas a verdade é que vi que não sentia tanta falta assim...hehehe
pela primeira vez em 7 meses, uma semana sem ouvir "che", "boludo", sem pegar metrô, sem comprar medialunas de manhã e sem ouvir chamuyos. também ouvi poucas vezes essas palavrinhas que a mãe força a gente a falar quando criança, tipo "por favor", "com licença" e "muito obrigado", e vi tudo mais igual que eu gostaria, mas era isso mesmo que eu queria ver.
parece que eu achei ruim? não! achei tudo ótimo e precisava, mas é muito estranho ver que não é mais minha casa, que tudo tá igual mas não é mais a minha cidade, que infelizmente meu lugar não é mais aí. só queria ter tido um pouco mais de tempo para as conversas que me fazem falta com as pessoas que me fazem falta, mas como não se pode ter tudo, passei pelo nacional, comprei cachaça, goiabada, chocolate, um par de havaianas e fui pro salgado filho. hora de resolver os problemas pendentes em terras portenhas.